A história do chocolate – Parte 1

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Por Helena Prates

Nas próximas publicações vamos te contar a história do chocolate, a origem da nossa matéria-prima!

Felicidade garantida em apenas uma mordida

Pode ser preto, branco, ao leite, meio amargo, apimentado, recheado e ter infinitas combinações. É companheiro para todas as horas, especialmente para as madrugadas insone e solitárias. No momento em que você mais precisa, ele está lá, provocativo, ciente de seu charme praticamente irresistível. Basta uma pequena mordida e alguns segundos até que ele se desmanche em nossa boca para sentirmos uma explosão de sentimentos, recheados de prazer e satisfação. Deliciamos uma profunda sensação de conforto, como se a felicidade pudesse mesmo vir de pedacinhos milagrosos de cacau.

Mas não é só aconchego que se encontra em um chocolate. Ao se abrir a embalagem que guarda uma trufa, por exemplo, você também está abrindo uma história que tem como personagens principais nativos míticos e desbravadores de locais exóticos; construída em longas jornadas durante importantes momentos da humanidade.

A origem do sabor explosivo

De bebida sagrada e afrodisíaca a valiosa moeda de troca, o chocolate foi descoberto e teve seu processo de produção desenvolvido ao longo da história da humanidade, para a própria sorte dela. É um dos poucos alimentos que traz em si o maior benefício de todos, necessário a cada um de nós: o prazer de viver.

Esse alimento milagroso, capaz de mudar nosso humor em segundos!, é derivado da amêndoa torrada e fermentada do cacau. E já foi realmente considerado como uma bebida dos deuses, consumida em cerimônias religiosas pelos Astecas e pelos Maias, civilizações que descobriram o poder dessa iguaria.

A palavra “cacau” deriva da língua maia “kakaw”, e é nome do fruto do cacaueiro, que vem sendo cultivada por pelo menos três mil anos. Já o termo chocolate tem sua origem também na língua maia, “xocoatl”, como era chamada a bebida amarga feita a partir das sementes do cacau, geralmente temperada com baunilha e pimenta, a que se creditava o combate ao cansaço e o poder afrodisíaco. Durante o Império Asteca, as sementes de cacau eram tão valorizadas que foram utilizadas como uma importante moeda de troca e meio de pagamento de tributos.

Com as invasões espanholas na América, nas regiões onde hoje ficam o México e a Guatemala, o chocolate foi levado para a Europa, sendo modificado nos mosteiros espanhóis, pois, a princípio, somente sacerdotes e nobres o consumiam em cultos religiosos. Por quase um século, o preparo da bebida permaneceu sob sigilo espanhol, até que finalmente foi introduzido na Itália por volta de 1606 e, a partir daí, para a França. Com o tempo, o cacau foi se popularizando e se diversificando com a adição de outros ingredientes.
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Em Londres, a primeira chocolataria foi inaugurada em 1657. Anos mais tarde, em torno de 1700, as “Casas de Chocolate” começaram a competir com as “Casas de Café” por toda Europa. O chocolate já não era mais um artigo de luxo destinado somente aos ricos. A Revolução Industrial possibilitou a produção em massa e, consequentemente, produtos com preços mais acessíveis.

O chocolate também passou por esse processo, e a primeira fábrica da iguaria surgiu nos Estados Unidos, em 1765, a companhia Baker’s, considerada como o marco inicial de uma indústria chocolateira, com os processos mecânicos substituindo os métodos artesanais. Em 1849, o inglês Joseph Fry produziu a primeira barra de chocolate comestível.

Na Suíça, em 1879, o chocolateiro Daniel Peter teve a ideia de usar leite condensado, inventado por Henri Nestlé em 1867, para fazer o chocolate ao leite. Assim, o alimento mais feliz do mundo recebeu açúcar e leite e passou a ter uma consistência diferente, conforme a conhecemos hoje. É esse o motivo que concedeu ao país a fama de ser um dos melhores fabricantes de chocolate do mundo.

Em 1913, foi anunciada pela Baker’s Company a primeira receita do que se tornaria conhecido como “chocolate branco”, que não leva cacau em sua fórmula, apenas a gordura tirada da semente do fruto.

A partir da segunda metade do século XIX, surgiram os primeiros empresários do cacau, entre os quais se destacavam integrantes das famílias Hershey, Nestlé, Lindt e Toble. Durante as grandes guerras mundiais, o poder energético e antidepressivo do chocolate foi reconhecido pelo exército americano e passou a fazer parte da alimentação de seus soldados.

Assim o chocolate conquistou o mundo e o nosso paladar!

– E como ele emplacou no Brasil? – Você nos pergunta, e a gente te responde em nossa próxima publicação…